TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO TOMA CONTA DA AGRICULTURA



Uma maneira de ver a agricultura é como uma ramificação da álgebra matricial. Um agricultor deve constantemente conciliar um conjunto de variáveis, tais como o clima; níveis de umidade e de nutrientes do solo; ervas daninhas, pragas e doenças; além dos custos de se tomar medidas para lidar com essas questões. Nesse sentido, o trabalho da agricultura inteligente (ou agricultura de precisão) é medir precisamente as variáveis que entram na matriz, facilitando o trabalho do agricultor, otimizando a sua produção e maximizando o seu lucro.


Um dos primeiros exemplos de precisão na agricultura se deu em 2001, a partir de uma decisão tomada pela maior fabricante mundial de equipamentos agrícolas, John Deere, que equipou seus tratores e outras máquinas móveis com GPS. Para os agricultores, essa tecnologia eliminava um problema freqüente: os tratores não mais cobririam o mesmo pedaço de terra mais de uma vez. Estima-se que, em alguns casos, os custos com combustíveis foram reduzidos em 40%.


Desde então, novas tecnologias têm sido desenvolvidas. Dentre elas, as amostragens de alta densidade, realizadas para medir o conteúdo mineral e porosidade do solo, podem prever a fertilidade de diversas áreas de uma propriedade. O mapeamento preciso das curvas de nível ajuda a indicar como os recursos hídricos se movem e detectores implantados no solo podem monitorar os níveis de umidade em várias profundidades. Alguns detectores também são capazes de indicar o teor de nutrientes e como o solo se altera em resposta à aplicação de fertilizantes.


Tudo isso permite que seja feita a semeadura de taxa variável, o que significa que a densidade de plantas cultivadas pode ser adaptada às condições locais. E mais importante, a densidade em si pode ser precisamente controlada pelo agricultor. Além disso, quando feita a colheita, a velocidade na qual os grãos são colocados no reservatório pode ser medida de momento a momento.


Essas informações, quando combinadas com os dados captados por GPS, criam um mapa de rendimento que mostra quais pedaços de terra foram mais ou menos produtivos e, portanto, o quão precisas foram as previsões das amostragens e dos detectores. Os resultados podem então ser introduzidos no padrão de plantação da temporada seguinte.


Os agricultores também coletam informações a partir de sobrevôos por suas plantações. Imagens captadas por drones e aviões são capazes de medir a quantidade de cobertura vegetal e distinguir entre culturas e ervas daninhas. Usando uma técnica chamada análise multiespectral, que analisa a forma como as plantas absorvem ou refletem diferentes comprimentos de onda de luz solar, os agricultores podem descobrir quais as culturas que estão prosperando e quais não.


Sensores ligados a máquinas em movimento podem até mesmo fazer medições em fuga. Por exemplo, sensores multiespectrais instalados em bicos de pulverização de um trator podem estimar as quantidades necessárias de nitrogénio a serem borrifadas sobre as culturas, ajustando a dose de acordo com a medição. A agricultura moderna produz então grande quantidade de dados, mas eles precisam de interpretação, e para isso, a tecnologia da informação é essencial.


Graças à proliferação de softwares de gestão agrícola, é possível fornecer mais e mais dados disponibilizados pelos sensores, que também estão se tornando melhores e mais acessíveis. As coisas estão mudando no ar, também. Os fabricantes de drones vêm testando uma ampla gama de modelos para descobrir qual é o mais adequado para sobrevoar fazendas equipado com câmeras multiespectrais.


O desenvolvimento tecnológico nas áreas de mapeamento e processamento de dados tem então possibilitado o controle preciso de insumos e resultados por parte dos agricultores. Esse movimento nos leva a crer que a tecnologia da informação seja o presente e o futuro da produção agrícola.